A partir do trabalho de
pós-graduação, em História
do Brasil, do historiador Lúcio Xavier Alves, os
programas ganharam vida na voz de Rodolpho Xavier.
Rodolpho
Xavier, um resumo
Xavier era negro, neto materno de um escravo moçambique
e filho da escrava Eva Ignácio Xavier, nasceu
livre em Pelotas, em 10 de maio de 1874. Aos dez
anos de idade concluiu o curso de alfabetização
para meninos, promovido na Bibliotheca Pública
Pelotense.
Foi articulista do Jornal A Alvorada por mais de
cinqüenta anos. Na maioria de suas crônicas,
abordava temas como política, economia, preconceito
de cor, organização operária,
tradição e costumes, entre outros.
Nas últimas décadas de colaboração
ao A Alvorada, aparecem relatos a partir de suas
memórias, nos quais fala dos tempos da infância,
das lutas no movimento operário e das
andanças pelas
ruas de Pelotas. Ao produzir esse tipo de crônica,
Rodolpho caracterizou-se como um autêntico memorialista,
pois no momento em que ele invocava lugares, pessoas,
fatos e costumes que já não existiam mais
na vida de Pelotas, criava uma ponte entre o passado e
o presente da cidade.
Rodolpho atuava como uma espécie de andarilho,
perambulando e recolhendo observações que,
junto com suas lembranças, iam dando forma às
suas crônicas. Essa relação com as
ruas da cidade se dava de maneira especial, pois o cronista
direcionava seu olhar para detalhes que muitas vezes passavam
despercebidos pela maioria da população.
Registros
de batismo e casamento, ambos de Rodolpho Xavier
Por esses motivos Rodolpho Xavier foi definido como o
protagonista do Projeto e de maneira natural a construção
do slogan “outras histórias de uma mesma
cidade” centrou o formato e a linguagem utilizada
para comunicar-se com os pelotenses. Baseado na vida e
na trajetória intelectual de Rodolpho Xavier, os
roteiros foram criados do primeiro ao último programa.
Dessa forma, Rodolpho ora aparece com elementos reais
da sua biografia, ora ocupa um papel ficcional.
Assim, o personagem Rodolpho narrou histórias da
cidade de forma atemporal e onisciente. Suas lembranças
e suas percepções possibilitaram reviver
e reconstituir outras versões da história
social de Pelotas.
Rodolpho
Xavier, as descobertas
O memorialista
também foi tema do trabalho de conclusão
de curso do historiador Lúcio Xavier Alves,
que dedicou alguns anos na pesquisa da obra intelectual
e na vida de Rodolpho. Porém, alguns dados
ainda eram desconhecidos, como onde se encontravam
seus descendentes, onde o corpo estava enterrado,
etc.
Foi o Patrimônio Pé-de-Ouvido que proporcionou
a descoberta do elo afetivo e familiar, por meio
de uma sobrinha e afilhada de Rodolpho Xavier. Com
a divulgação do projeto no jornal
Diário Popular, a senhora Isabel Souza, 79
anos, fez contato com a redação daquele
veículo e aproximou-se da equipe envolvida
no projeto.
Com os relatos de sua
memória foi possível conhecer e revelar
um pouco mais da vida íntima do homem Rodolpho
Xavier e “emprestar”, então, essas
informações à composição
do personagem.
A localização de seu túmulo, a casa
onde residiu com a família, a amizade com o vizinho
eletricista, os poemas que gostava de ler para o filho
Adão e sobrinhas, a banca de peixe da qual era
freguês no Mercado Público, as pescarias
com o filho, onde estão seus descendentes, o fato
de ser um homem recatado e introvertido, nos foi revelado
nos últimos quatro meses, contribuindo muito com
a construção lúdica do personagem
e dos programas.
Rodolpho
Xavier,
o que faltava
Descobrimos durante nossos encontros com Dna.
Isabel Souza um Rodolpho Xavier muito introvertido,
embora fosse um narrador das histórias
da cidade por meio do jornal A Alvorada
e um incentivador da luta operária e contra
a discriminação de raça.
Rodolpho Xavier morava
na Rua Vila Silva, n° 48. Atualmente a rua denomina-se
Manoel Caetano da Silva e a casa recebeu o número
50. Está localizada no bairro Simões Lopes.
Casou-se com Francisca de Paula da Silva Xavier, falecida
aos 57 anos de câncer. Está enterrada no
Cemitério São Francisco de Paula, no bairro
Fragata, em Pelotas.
Teve dois filhos: Adão, nascido de seu casamento
e Enjolras, filho que teve fora do matrimônio.
Adão
casou-se com Hilda Teixeira Xavier, teve uma filha
e morava no município de São Gabriel
no Estado do Rio Grande do Sul, quando faleceu em
setembro de 2007.
Sandra Regina Xavier Soares é neta de Rodolpho
Xavier e atualmente mora no Estado da Bahia. É
funcionária do Ministério da Agricultura
e tem um casal de filhos.
Edição
do jornal A Alvorada
Rodolpho,
após ficar viúvo, viveu com Idelvira
Machado (Lola).
Morreu às 2h25min do dia 25 de fevereiro
de 1964, aos 89 anos, de insuficiência cardíaca,
conforme assento de óbito n° 39.264
do Cartório da 2ª Zona. Está
enterrado junto à Francisca no túmulo
590 Q.A.